Um dos fósseis mais importantes da paleontologia brasileira, retirado ilegalmente do Ceará e levado para a Europa há mais de três décadas, está prestes a retornar ao Brasil. Trata-se do crânio quase completo do dinossauro Irritator challengeri, extraído da Chapada do Araripe, no Sul do Ceará — região reconhecida internacionalmente por abrigar um dos maiores patrimônios fósseis do planeta. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Há anos pesquisadores brasileiros defendiam a devolução da peça, considerada de enorme valor científico. Agora, o retorno ganhou força após a recente visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Alemanha, em abril, quando os governos dos dois países divulgaram uma declaração conjunta informando a disposição do Museu Estatal de História Natural de Stuttgart em devolver o fóssil ao Brasil. Até o momento, ainda não foram divulgados detalhes sobre a data ou o processo de repatriação.
IDADE: 113 MILHÕES DE ANOS
O Irritator challengeri era um dinossauro carnívoro de aproximadamente 6,5 metros de comprimento, pertencente ao grupo dos espinossaurídeos, que viveu durante o período Cretáceo, há cerca de 110 milhões de anos. Especialistas estimam que o fóssil tenha aproximadamente 113 milhões de anos.
A peça foi retirada ilegalmente do sertão cearense provavelmente durante a década de 1980 e levada clandestinamente para a Alemanha. Em 1991, acabou sendo vendida a um museu alemão por um comerciante de fósseis e, cinco anos depois, foi oficialmente descrita pela comunidade científica.
CAMPANHA DE DEVOLUÇÃO
A paleontóloga Aline Ghilardi, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que liderou a campanha pela devolução do fóssil, destacou a relevância histórica da descoberta.
“Estamos falando de um dos fósseis mais importantes da história da paleontologia de dinossauros. É um dos crânios mais completos já encontrados de um grupo extremamente raro no mundo inteiro, os espinossaurídeos, além de ser um dos dinossauros brasileiros mais completos do período Cretáceo”, afirmou Aline, em declaração publicada pelo Estadão.
Cientistas pedem o retorno do fóssil desde que sua descrição científica foi publicada, em 1996, quando sua origem brasileira foi oficialmente estabelecida. A mobilização da comunidade científica, entretanto, ganhou força em 2023, após a Alemanha devolver ao Brasil o fóssil do Ubirajara jubatus, também encontrado na Chapada do Araripe.
O fóssil do Ubirajara permaneceu durante anos no Museu Estatal de História Natural de Karlsruhe, na Alemanha, sem o conhecimento das autoridades brasileiras. Apenas em 2020, com a publicação de sua descrição científica, a origem do material foi identificada oficialmente. Atualmente, a peça está no Museu de Paleontologia Plácido Cidade das Nuvens, em Santana do Cariri, no Ceará, que já se prepara para receber também o Irritator.
DISCUSSÃO HISTÓRICA
O paleontólogo Alysson Pinheiro, diretor do Museu Plácido Cidade das Nuvens, chamou atenção para a discussão histórica envolvendo a formação dos grandes acervos internacionais.
“A aquisição de patrimônio pelos museus é um tópico sensível até porque a história não é bonita. Mas a verdade é que muitos grandes museus da Europa foram criados a partir de saques, violência e expropriação”, afirmou.
Com o sucesso da campanha que resultou na devolução do Ubirajara, 268 paleontólogos, juristas e cientistas assinaram uma carta aberta ao Ministério da Ciência, Pesquisa e Artes de Baden-Württemberg, órgão responsável pelo Museu Estatal de História Natural de Stuttgart, solicitando formalmente a devolução do Irritator.
Além disso, uma petição lançada na plataforma Change.org reuniu mais de 34 mil assinaturas, ampliando a pressão e a visibilidade internacional.
Há anos pesquisadores brasileiros defendiam a devolução da peça, considerada de enorme valor científico. Agora, o retorno ganhou força após a recente visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Alemanha, em abril, quando os governos dos dois países divulgaram uma declaração conjunta informando a disposição do Museu Estatal de História Natural de Stuttgart em devolver o fóssil ao Brasil. Até o momento, ainda não foram divulgados detalhes sobre a data ou o processo de repatriação.
IDADE: 113 MILHÕES DE ANOS
O Irritator challengeri era um dinossauro carnívoro de aproximadamente 6,5 metros de comprimento, pertencente ao grupo dos espinossaurídeos, que viveu durante o período Cretáceo, há cerca de 110 milhões de anos. Especialistas estimam que o fóssil tenha aproximadamente 113 milhões de anos.
A peça foi retirada ilegalmente do sertão cearense provavelmente durante a década de 1980 e levada clandestinamente para a Alemanha. Em 1991, acabou sendo vendida a um museu alemão por um comerciante de fósseis e, cinco anos depois, foi oficialmente descrita pela comunidade científica.
CAMPANHA DE DEVOLUÇÃO
A paleontóloga Aline Ghilardi, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que liderou a campanha pela devolução do fóssil, destacou a relevância histórica da descoberta.
“Estamos falando de um dos fósseis mais importantes da história da paleontologia de dinossauros. É um dos crânios mais completos já encontrados de um grupo extremamente raro no mundo inteiro, os espinossaurídeos, além de ser um dos dinossauros brasileiros mais completos do período Cretáceo”, afirmou Aline, em declaração publicada pelo Estadão.
Cientistas pedem o retorno do fóssil desde que sua descrição científica foi publicada, em 1996, quando sua origem brasileira foi oficialmente estabelecida. A mobilização da comunidade científica, entretanto, ganhou força em 2023, após a Alemanha devolver ao Brasil o fóssil do Ubirajara jubatus, também encontrado na Chapada do Araripe.
O fóssil do Ubirajara permaneceu durante anos no Museu Estatal de História Natural de Karlsruhe, na Alemanha, sem o conhecimento das autoridades brasileiras. Apenas em 2020, com a publicação de sua descrição científica, a origem do material foi identificada oficialmente. Atualmente, a peça está no Museu de Paleontologia Plácido Cidade das Nuvens, em Santana do Cariri, no Ceará, que já se prepara para receber também o Irritator.
DISCUSSÃO HISTÓRICA
O paleontólogo Alysson Pinheiro, diretor do Museu Plácido Cidade das Nuvens, chamou atenção para a discussão histórica envolvendo a formação dos grandes acervos internacionais.
“A aquisição de patrimônio pelos museus é um tópico sensível até porque a história não é bonita. Mas a verdade é que muitos grandes museus da Europa foram criados a partir de saques, violência e expropriação”, afirmou.
Com o sucesso da campanha que resultou na devolução do Ubirajara, 268 paleontólogos, juristas e cientistas assinaram uma carta aberta ao Ministério da Ciência, Pesquisa e Artes de Baden-Württemberg, órgão responsável pelo Museu Estatal de História Natural de Stuttgart, solicitando formalmente a devolução do Irritator.
Além disso, uma petição lançada na plataforma Change.org reuniu mais de 34 mil assinaturas, ampliando a pressão e a visibilidade internacional.

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