Anvisa apura 65 mortes suspeitas ligadas a canetas emagrecedoras no Brasil

Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga pelo menos 65 mortes tratadas como suspeitas de estarem associadas ao uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento no Brasil. Os dados, levantados pela Agência Pública, entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025, não incluem registros de 2026.

O repórter Carlos Silva destaca, no Jornal Alerta Geral, que, no mesmo período, foram notificadas 2.436 ocorrências de eventos adversos relacionados a essas substâncias, variando de sintomas mais comuns, como náuseas e diarreia, até quadros graves descritos como “experiência de morte iminente”.

Carlos cita, ainda, que a Anvisa ressalta que monitora notificações de segurança de todos os medicamentos comercializados no país, não apenas dos chamados agonistas de GLP-1, classe à qual pertencem as canetas emagrecedoras.

Esses medicamentos — indicados principalmente para diabetes tipo 2, obesidade e esteatose hepática — atuam imitando o hormônio GLP-1, responsável por regular os níveis de açúcar no sangue e promover sensação de saciedade ao retardar o esvaziamento gástrico. Entre as substâncias monitoradas estão a semaglutida (Ozempic e Wegovy), a liraglutida, a dulaglutida e a tirzepatida (Mounjaro). O levantamento não diferencia casos envolvendo produtos adquiridos regularmente em farmácias com prescrição médica de situações que envolvam uso sem acompanhamento profissional ou medicamentos irregulares.

PICO DE CASOS SUSPEITOS

Anteriormente, a agência já havia informado que apurava seis mortes associadas a casos de pancreatite entre 2020 e 2025. No entanto, ao considerar todos os óbitos em análise no sistema de farmacovigilância, o número de registros suspeitos é mais de dez vezes maior. A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode comprometer funções essenciais do organismo, como digestão e controle glicêmico.

PROBLEMAS DE SAÚDE

Entre as notificações registradas entre 2023 e 2025, cerca de 1% envolve eventos considerados graves, incluindo pancreatite, astenia (fraqueza persistente) e episódios classificados como sensação de morte iminente, somando 71 ocorrências. A Anvisa esclarece que uma única notificação pode relatar mais de um evento adverso.

A nutróloga Karla Raissa, fala sobre os riscos à saúde de quem usa os emagrecedores sem prescrição médica e relata casos de pessoas que chegam à UTI apor problemas sérios de saúde após o consumo desse tipo de medicação.

Os dados da Anvisa revelam que, nos últimos três anos, período em que as quatro substâncias estavam disponíveis no mercado brasileiro, a semaglutida concentrou 69% das notificações de eventos adversos, enquanto a liraglutida e a tirzepatida responderam por 15% cada.

Há poucos dias, a Anvisa emitiu nota alertando sobre os riscos de pancreatite aguda para quem usa as canetas emagrecedoras.
 
Fonte: Cearáagora.com.br 

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